segunda-feira, 31 de maio de 2010

Nota do Ministério de Relações Exteriores a respeito do ataque israelense a um comboio de ajuda humanitária

 
31/05/2010

Ataque israelense à “Flotilha da Liberdade”



Com choque e consternação, o Governo brasileiro recebeu a notícia do ataque israelense a um dos barcos da flotilha que levava ajuda humanitária internacional à Faixa de Gaza, do qual resultou a morte de mais de uma dezena de pessoas, além de ferimentos em outros integrantes.



O Brasil condena, em termos veementes, a ação israelense, uma vez que não há justificativa para intervenção militar em comboio pacífico, de caráter estritamente humanitário. O fato é agravado por ter ocorrido, segundo as informações disponíveis, em águas internacionais. O Brasil considera que o incidente deva ser objeto de investigação independente, que esclareça plenamente os fatos à luz do Direito Humanitário e do Direito Internacional como um todo.

Os trágicos resultados da operação militar israelense denotam, uma vez mais, a necessidade de que seja levantado, imediatamente, o bloqueio imposto à Faixa de Gaza, com vistas a garantir a liberdade de locomoção de seus habitantes e o livre acesso de alimentos, remédios e bens de consumo àquela região.

Preocupa especialmente ao Governo brasileiro a notícia de que uma brasileira, Iara Lee, estava numa das embarcações que compunha a flotilha humanitária. O Ministro Celso Amorim, ao solidarizar-se com os familiares das vítimas do ataque, determinou que fossem tomadas providências imediatas para a localização da cidadã brasileira.

A Representante do Brasil junto à ONU foi instruída a apoiar a convocação de reunião extraordinária do Conselho de Segurança das Nações Unidas para discutir a operação militar israelense.

O Embaixador de Israel no Brasil está sendo chamado ao Itamaraty para que seja manifestada a indignação do Governo Brasileiro com o incidente e a preocupação com a situação da cidadã brasileira.




http://www.itamaraty.gov.br/sala-de-imprensa/notas-a-imprensa/ataque-israelense-a-201cflotilha-da-liberdade201d

quinta-feira, 27 de maio de 2010

ONU elogia Brasil e afirma que acordo nuclear do Irã pode ser importante para reduzir tensões internacionais

Agência Brasil

27/05/2010

ONU elogia Brasil e afirma que acordo nuclear do Irã pode ser importante para amenizar tensões

Nielmar Oliveira

Repórter da Agência Brasil


Rio de Janeiro - Na avaliação do secretário-geral da Organização das Nações Unidas (ONU), Ban Ki-moon, o acordo para a troca de combustível nuclear assinado pelo Irã com a intermediação do Brasil e da Turquia pode vir a se tornar um passo importante para aliviar as tensões internacionais criadas a partir do avanço do programa nuclear iraniano.

quarta-feira, 26 de maio de 2010

Crise na Coréia: a política das disputas regionais e o aumento da tensão no Leste Asiático

 publicado no blog "Geografia & Geopolítica" em 25/05/2010


Tudo indica que a promessa feita pelo primeiro-ministro japonês, Yukio Hatoyama, eleito ano passado - de retirar algumas das mais importantes bases militares americanas instaladas no Japão -, será adiado por tempo indeterminado.

O crescimento da tensão entre as Coréias do Norte e do Sul, enfraquece sensivelmente a posição dos japoneses e sul-coreanos que defendem a retirada das bases dos EUA na região.

Esta crise pode ampliar velhas tensões entre China e EUA, inclusive em torno da questão do apoio dos Estados Unidos à independência da província chinesa de Taiwan. Taiwan, parte histórica da China, foi invadida e ocupada pelos Japoneses na Guerra Sino Japonesa de 1894-1895, no mesmo conflito em que os japoneses ocuparam a Coréia.

Os dois territórios ocupados pelos japoneses foram alvo de lutas durante a II Guerra Mundial, quando o Japão invadiu a China e travou seguidas batalhas contra os chineses por quase 15 anos (1931-1945), onde morreram cerca de 20 a 25 milhões de chineses. Antes mesmo de ser anunciada a derrota do Japão na II Guerra Mundial, a Coréia já estava dividida entre as áreas de ocupação dos EUA e da URSS.  Com a vitória da Revolução Comunista na China, em 1949, outro território que fora ocupado pelo Japão, Taiwan, passou a ser governada pelo grupo dos "nacionalistas", apoiados pelos EUA. A Guerra da Coréia (1950-1953) dividiu definitivamente o povo coreano, separado em dois Estados distintos até os dias atuais. Infelzimente, ainda hoje a Guerra da Coréia não acabou formalmente, tendo sido estabelecido apenas um cessar-fogo, mas nunca celbrado um acordo de paz. Ou seja, a Coréia do Norte ainda está "formalmente em guerra" com os EUA, na interpretação dos americanos.

segunda-feira, 10 de maio de 2010

Integração regional: Brasil e Argentina farão satélite para monitorar oceanos

Inovação Tecnológica

10/05/2010

Brasil e Argentina farão satélite para monitorar oceanos

Informações da AEB  

A Agência Espacial Brasileira (AEB/MCT) e a Comisión Nacional de Actividades Espaciales (Conae), da Argentina, desenvolverão, em conjunto, o satélite "Sabia-Mar", destinado à observação global dos oceanos e ao monitoramento do Atlântico nas proximidades do Brasil e da Argentina.

Sul-Sul

Com o Sabia-Mar será possível observar a cor dos oceanos, monitorar a exploração petrolífera, gerenciar as zonas costeiras e contribuir com a atividade pesqueira, entre outras aplicações.

quinta-feira, 6 de maio de 2010

Seminário "África do Sul: Mitos e Realidades"


Seminário "África do Sul: Mitos e Realidades"


20 e 21 de maio de 2010

Auditório da Faculdade de Ciências Econômicas - Campus Centro – UFRGS


Programação

20 de maio (quinta-feira)

18h30: Sessão de Abertura
Prof. Dr. Carlos Alexandre Netto (Reitor da UFRGS)
Prof. Dr. Paulo Fagundes Visentini (Coordenador do CESUL)
Prof. Esp. Luiz Dario Teixeira Ribeiro (Coordenador do NERINT)

19h: Painel “Os fundamentos da história sul-africana”
Prof. Esp. Luiz Dario Teixeira Ribeiro (UFRGS)

Exibição do Filme “Infância roubada (Tsotsi)”


21 de maio (sexta-feira)

10h: Painel “A sociedade sul-africana em transformação”
Prof. Drª. Jo-Ansie van Wyk (UNISA, África do Sul)
Prof. Drª. Analúcia Danilevicz (FAPA/ESPM)

14h: Painel “Diplomacia e segurança na região africana”
Prof. Dr. Marco Aurélio Cepik (UFRGS)
Prof. Dr. Francis Kornegay (IGD, África do Sul)

16h: Painel “A África do Sul, o Brasil e o IBAS”
Prof. Dr. Pio Penna Filho (USP)
Prof. Dr. Paulo Fagundes Visentini (UFRGS)


Inscrições: pelo -email nerint@ufrgs. br - custo de R$5,00 (certificado de 10h/a)
Informações: 51 3308 7150

Promoção: CESUL-UFRGS e NERINT



http://www6.ufrgs.br/nerint/php/noticias.php?idn=40&lang=br

segunda-feira, 3 de maio de 2010

Comércio entre Brasil e Argentina tem forte recuperação

Agência Brasil

03/05/2010

Comércio entre Brasil e Argentina tem forte recuperação

Stênio Ribeiro

Repórter da Agência Brasil


Brasília – O Brasil ampliou as vendas para os principais blocos econômicos, no mês de abril, exceto para a África, onde as exportações brasileiras caíram 32% em relação ao mesmo mês de 2009. Mas, o que mais chamou a atenção do secretário de Comércio Exterior, Welber Barral, foi o aumento das vendas em 61,4% para os países do Mercosul, puxadas, principalmente, pela Argentina.

Do total de US$ 1,65 bilhão que os exportadores brasileiros venderam para o Mercosul, US$ 1,298 bilhão foram para a Argentina. Ele lembrou que em abril de 2009 a venda de nossos produtos para o mercado argentino somaram só US$ 824 milhões.

O secretário destacou que tem havido “boa recuperação da capacidade de compra” dos Estados Unidos, do México e da Argentina, notadamente em relação a automóveis e autopeças. Mas ressaltou que o preço médio desses produtos não tem subido de forma equilibrada, pois as exportações “aumentaram em quantidade, mas caíram de preço”.

No cômputo geral da América Latina e do Caribe, a absorção de produtos brasileiros é surpreendente, de acordo com Barral, mesmo considerando-se que abril do ano passado foi uma base muito fraca, por causa dos efeitos da crise financeira mundial. O Brasil vendeu US$ 3,632 bilhões para o bloco, no mês passado, um crescimento de 55,3% em relação aos US$ 2,338 bilhões em abril de 2009.

Barral está otimista também quanto ao crescimento das vendas brasileiras para os Estados Unidos. O mercado norte-americano comprou US$ 1,623 bilhão em abril deste ano, contra US$ 1,340 bilhão em igual mês de 2009. O aumento de 21,1% sinaliza, segundo ele, "uma retomada da recuperação do comércio bilateral”, e antecipou, inclusive, que amanhã terá uma reunião técnica com funcionários do governo dos Estados Unidos para dar mais fluidez de negócios.

O secretário disse que a China continua como nosso maior comprador. No mês passado comprou US$ 2,53 bilhões, um aumento de 13,4% na comparação com abril de 2009. Destacou, porém, que parte significativa da diferença se refere à aquisição de soja brasileira, recentemente colhida. Além de China, os Estados Unidos, a Argentina, os Países Baixos e a Alemanha foram outros grandes compradores de produtos brasileiros.

Os principais destaques de nossas exportações, de acordo com Barral, foram os produtos básicos e semimanufaturados, que registraram valores recordes para meses de abril, alcançando as cifras de US$ 7,017 bilhões (+25,4% sobre abril de 2009) e de US$ 1,919 bilhão (+33,8%) respectivamente. As exportações de produtos manufaturados também tiveram bom desempenho no mês ao somarem US$ 5,947 bilhões (+18%).

Quanto às importações, o secretário destacou que as compras brasileiras de combustíveis e lubrificantes cresceram 173,3% na mesma base de comparação, principalmente por causa do aumento do preço internacional do petróleo, além do aumento de preço e da quantidade usada de óleo diesel, gás natural e carvão. As importações de matérias primas e intermediárias também aumentaram 65,1%, bens de consumo cresceram 49,9% e bens de capital mais 18,9%.

Os nossos maiores fornecedores foram os Estados Unidos (US$ 2,011 bilhões), a China (US$ 1,662 bilhão), a Argentina (US$ 1,162 bilhão), a Alemanha (US$ 899 milhões) e a Nigéria (US$ 694 milhões).


Edição: Rivadavia Severo


sexta-feira, 16 de abril de 2010

IBAS: Brasil, Índia e África do Sul desenvolverão dois satélites artificiais

Inovação Tecnológica


16/04/2010

Brasil, Índia e África do Sul desenvolverão dois satélites artificiais

MCT

Estudos climáticos e agrícolas

Brasil, Índia e África do Sul assinaram, em Brasília, um acordo de cooperação para o desenvolvimento de dois satélites artificiais.

Segundo o presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva, os equipamentos serão utilizados em estudos climáticos e agrícolas dos três países.

"Esse é mais um de diversos acordos trilaterais assinados entre os países do IBAS (Índia, Brasil e África do Sul). Esses satélites são importantes para reforçarmos o trabalho dos centros espaciais", destacou.

terça-feira, 13 de abril de 2010

Conferência Internacional: "Mercosul e União Europeia: integração e desenvolvimento"

Conferência Internacional:
"Mercosul e União Europeia: integração e desenvolvimento"





A economia e as finanças mundiais estão cada vez mais interdependentes. As movimentações financeiras e as políticas econômicas repercutem no ambiente internacional, gerando depressão ou satisfação econômica nas populações. É a partir do reconhecimento dessa realidade que o Estado precisa traçar políticas de desenvolvimento.



Para refletir sobre esses aspectos da economia e da integração, o Centro de Estudos Internacionais sobre Governo (CEGOV) traz a Porto Alegre personalidade de diferentes áreas diretamente envolvidas com o tema em pauta: Sr. Francisco Luzón (Vice-presidente mundial do Grupo Santander), Sr. Marco Aurelio Ruediger (Sociólogo da Fundação Getúlio Vargas) e o Sr. Paulo Fagundes Visentini (Coordenador do CEGOV), mediador dessa Conferência.



A Conferência Internacional "Mercosul e União Europeia: integração e desenvolvimento" será realizada no dia 15 de abril, às 19 horas, no Hotel Embaixador (R. Jerônimo Coelho, 354 - Porto Alegre - RS).



51 3308 9860 - 33083272

 
 
 

sexta-feira, 9 de abril de 2010

Seminário Sino-Brasileiro

 I SEMINÁRIO SINO-BRASILEIRO: Desenvolvimento Econômico e Segurança Internacional





Segunda-Feira - 12 de abril

10:00 - 12:00 - Painel de Abertura

Dr. Carlos Alexandre Netto (Reitor da UFRGS)
Sr. Li Baojun (Cônsul Geral da China no Brasil)
Sr. Samuel Pinheiro Guimarães (Ministro de Estado, chefe da Secretaria de Assuntos Estratégicos da Presidência da Republica)
Dr. Paulo Vizentini (Professor Titular de Relacoes Internacionais da UFRGS)

14:00 – 17:00
– Integração e Desenvolvimento: China e Brasil

Coordenador: Professor Luiz Dario Ribeiro (Coordenador do NERINT)
Participantes:
Dr. Matt Ferchen (Universidade Tsinghua),
Dr. Javier Vadell (PUC-MG),
Dr. André Cunha (UFRGS),
Dr. Severino Bezerra Cabral Filho (IBECAP-RJ).






Terça-feira - 13 de abril

09:00 – 12:00
- Segurança Internacional e Forcas Armadas: China e Brasil

Coordenador: Dr. André Reis da Silva (UFRGS)
Participantes:
Dra. Luo Tianhong (Universidade Renmin),
Dr. Antonio Jorge Ramalho da Rocha (UnB),
Dr. Marco Cepik (UFRGS),
Dr. José Miguel Martins (NERINT).

14:00 – 17:00
– Agenda para a Cooperação Acadêmica Sino-Brasileira

Coordenador: Dr. Marco Cepik (UFRGS)
Participantes:
Dr. Matt Ferchen (Universidade Tsinghua),
Dr. Luo Tianhong (Universidade Renmin),
Dr. Paulo Vizentini (UFRGS),
Dr. Severino Bezerra Cabral Filho (IBECAP-RJ).



Local
Auditório da Faculdade de Ciências Econômicas (FCE) - Campus Centro/UFRGS

Inscrições gratuitas: enviar o número do cartão da UFRGS e nome completo (para alunos da UFRGS) ou nome completo, RG e nome da mãe para o e-mail: seminariosinobrasileiro@gmail.com

Para certificados PROREXT, custo de R$5,00.


http://www6.ufrgs.br/nerint/php/noticias.php?idp=1&lang=br

segunda-feira, 5 de abril de 2010

Ciclo de Palestras no Clube de Cultura de Porto Alegre: Imperialismo dos EUA

 Ciclo de Palestras sobre o Imperialismo Estadunidense






05/04/2010 – 2ª feira

“AS ORIGENS HISTÓRICAS DO IMPERIALISMO DOS ESTADOS UNIDOS”
Fábio Catani
Prof. História

“OS ESTADOS UNIDOS E A GUERRA DA CORÉIA”
José Miguel Martins
Dr. Ciência Política



07/04/2010 – 4ª feira

“A INFLUÊNCIA DOS ESTADOS UNIDOS NO PADRÃO DE CONSUMO NO BRASIL APÓS A II GUERRA MUNDIAL”
Ricardo Fitz
Prof. História FAPA

“A INFLUÊNCIA MILITAR ESTADUNIDENSE NO MILITARISMO BRASILEIRO”
Nilo Piana de Castro
Prof. História Colégio Aplicação



08/04/2010 – 5ª feira

“RELAÇÃO CUBA – ESTADOS UNIDOS: DA GUERRA FRIA AOS DIAS ATUAIS”
Regina Curtis
Prof.a. História ULBRA

“O PODER DOS EUA NA ÉPOCA DA GUERRA FRIA”
Luíz Dario Ribeiro
Prof. História UFRGS



13/04/2010 – 3ª feira

“AMÉRICA LATINA (1950-2010): O FANTASMA DA PENTAGONIZAÇÃO”
Enrique Padrós
Prof. História UFRGS

“A ECONOMIA DOS ESTADOS UNIDOS NOS ÚLTIMOS 60 ANOS: TRANSFORMAÇÃO E CRISE”
Eduardo Maldonado Filho
Prof. Economia UFRGS



14/04/2010 – 4ª feira

“A ENERGIA ATÔMICA E OS DESAFIOS DO FUTURO”
César Augusto Zen Vasconcellos
Prof. Física UFRGS

“ENERGIAS ALTERNATIVAS E BIOCOMBUSTÍVEIS NOS EUA E NO BRASIL”
Lucas Kerr de Oliveira
Mestre em Relações Internacionais




Clube de Cultura de Porto Alegre - 60 anos
Rua Ramiro Barcelos, n. 1853, Bomfim, Porto Alegre, RS.



sexta-feira, 26 de março de 2010

O Brasil como mediador da paz no Oriente Médio

Mundorama

24/03/2010

O Brasil como mediador da paz no Oriente Médio
André Luiz Reis da Silva   &   Bruna Kunrath

 
http://mundorama.net/

Historicamente, o Oriente Médio significou uma das áreas de baixa prioridade da diplomacia brasileira, embora tenha experimentado momentos de forte aproximação dos anos 1970 até o início dos anos 1990. Entretanto, desde o fim da Guerra Fria, a política externa brasileira para o Oriente Médio havia sofrido um recuo, que foi alterado somente na virada do milênio, articulada com a construção de um novo modelo de inserção internacional.

Neste contexto, seguindo a concepção de política externa concebida em 2003, o presidente Lula visitou o Oriente Médio entre os dias 14 e 17 de março de 2010, realizando as inéditas visitas aos Estados de Israel, Jordânia e à Cisjordânia, esta controlada pela Autoridade Nacional Palestina (ANP). Tais eventos fazem parte das diretrizes do governo Lula de estreitamento das relações diplomáticas com países de todos os continentes, que se pode chamar de concepção universalista, bem como da tentativa de inserção autônoma e soberana no sistema internacional, destacando a presença do Brasil no equilíbrio de poder global – como potência média – e a construção de um mundo multipolar.

A principal motivação das visitas de Lula aos países do Oriente Médio reside na esfera política. A diplomacia brasileira tenta lançar o país como um mediador do conflito entre Israel e Palestina, promovendo um papel ativo na busca pela intensificação do diálogo de paz da região. Com isso, ganha visibilidade no cenário internacional, com a qual espera aumentar sua chance de disputar uma vaga de membro permanente no Conselho de Segurança da ONU. Assim, uma aproximação que ao longo da década se deu mais no plano econômico, com o estreitamento do intercâmbio com os países da região, adquire uma ênfase mais política, percebida desde as visitas feitas ao Brasil pelos presidentes de Israel, Irã e ANP em dezembro de 2009.

A viagem da comitiva de Lula, que agrupou ministros e empresários, esteve em Israel em momento conturbado, dada a declaração do Estado israelense de que implantaria 1,6 mil assentamentos judaicos em Jerusalém Oriental, território palestino. A declaração causou forte desaprovação da comunidade internacional, até mesmo do principal aliado histórico de Israel, os EUA. Tal conjuntura, por outro lado, deu respaldo ao presidente Lula, que, além de declarar ao presidente israelense, Shimon Peres, que o diálogo de paz tinha que ser reiniciado, condenou os assentamentos judaicos, vistos como um atravancamento ao processo de pacificação da região.

A primeira visita de um presidente brasileiro a Israel é fundamental para a manutenção de boas relações diplomáticas entre o Brasil e este país, o qual possui claros atritos com o Irã. Em uma de suas ações que demonstram a autonomia do Brasil em relação à posição dos países centrais, principalmente dos EUA, o governo Lula recebeu o presidente iraniano, Mahmoud Ahmadinejad, em dezembro do ano passado, apoiando sua pesquisa nuclear para fins pacíficos e dando certo respaldo à sua controvertida eleição. A passagem de Lula por Israel, que passou pela visita ao Museu do Holocausto, mostra o desacordo do Brasil com as declarações de Ahmadinejad de que o genocídio judeu não ocorreu. Assim, apesar de o chanceler israelense não ter recebido a comitiva brasileira, a visita de Lula foi positiva para estreitar as relações entre os dois países. Israel tem a intenção de destinar US$ 1 bilhão para apoiar exportações e investimentos israelenses ao Brasil.

Seguindo para a Cisjordânia, o presidente Lula aumentou o teor de críticas às ações de Israel que prejudicam o entendimento com a Palestina. Em Ramallah, defendeu a necessidade urgente de se criar um Estado palestino independente. Além disso, criticou a ocupação israelense dos territórios palestinos, bem como o embargo imposto por Israel juntamente com os EUA, desde 2006, à Palestina. O presidente também se mostrou a favor da derrubada do muro israelense que perpassa Cisjordânia e Faixa de Gaza. Ainda, foi incentivado o diálogo entre as facções palestinas rivais, Fatah e Hamas, que respectivamente controlam Cisjordânia e Faixa de Gaza. Uma forma de ampliar o diálogo para a paz seria, justamente, ouvir as demandas de outras partes envolvidas na questão, como os dirigentes do Hamas – rotulado como grupo terrorista por Israel e EUA.

A última parada de Lula foi na Jordânia, onde o presidente analisou com rei Abdullah II meios para que as negociações pela paz sejam retomadas entre Israel e Palestina. Na ocasião da visita, o presidente brasileiro declarou que é necessário maior engajamento da ONU para a estabilização do Oriente Médio. Para Lula, a organização deveria se empenhar na pacificação da região, tanto quanto se engajou na criação do Estado de Israel. Nesse ínterim, levantou-se a bandeira da ampliação da representatividade dos órgãos das Nações Unidas, que seria o grande obstáculo para sua maior eficácia e capacidade política.

Ainda na Jordânia, houve reunião das delegações dos dois países para o estreitamento das relações econômicas, principalmente nos setores de energias renováveis, indústria, água e agricultura e cooperação bilateral. Por fim, o presidente Lula enviou o chanceler Celso Amorim à Síria para que levasse um convite ao presidente Bashar Assad para visitar o Brasil, pois percebe-se o grande papel que a Síria representa no processo de paz da Terra Santa.

A visita do presidente Lula ao Oriente Médio foi positiva, na medida em que o diálogo com os países envolvidos no conflito entre Israel e Palestina foi possível, sendo o Brasil bem aceito como possível mediador dos diálogos de paz. O respaldo dado à iniciativa brasileira pela Jordânia, país diretamente envolvido no conflito, dada sua posição fronteiriça com a Terra Santa, é de vital importância para o sucesso dessa nova empreitada da política externa brasileira. O Oriente Médio representa um dos pontos fracos da ONU, principalmente de seu Conselho de Segurança, na medida em que esta não conseguiu dar fim aos conflitos na região em mais de sessenta anos. O Brasil encontra uma margem de manobra para se lançar como uma grande player no novo cenário multipolar, defendendo a solução de conflitos internacionais em esferas multilaterais, mas somente se estas garantirem uma maior participação dos países em desenvolvimento.

O Brasil, com sua declarada e historicamente observada disposição para resolver conflitos pelo diálogo, pode representar um elemento novo para a pacificação da Terra Santa. De fato, conciliando uma relação amistosa e autônoma com todos os países envolvidos, o Brasil pode ter uma atuação destacada como mediador em uma região saturada pela violência e pelas tentativas de solução militar. Assim, a atuação brasileira no Oriente Médio está articulada com as diretrizes que o governo Lula delineou em 2003: expandir as relações diplomáticas pelo mundo, buscando novas formas de cooperação, de forma a reduzir as vulnerabilidades externas, e lutando pela ampliação do poder de influência brasileiro na política internacional.

André Luiz Reis da Silva é  Professor Adjunto de Relações Internacionais da Universidade Federal do Rio Grande do Sul – UFRGS e Pesquisador do Núcleo de Estratégia e Relações Internacionais – Nerint da mesma universidade, com apoio da FAPERGS e do CNPq. (reisdasilva@hotmail.com).

Bruna Kunrath é Graduanda de Relações Internacionais da da Universidade Federal do Rio Grande do Sul  - UFRGS e Bolsista de IC/CNPq do Núcleo de Estratégia e Relações Internacionais – Nerint da mesma universidade. (brunakunrath@hotmail.com).

sábado, 20 de março de 2010

Presidente Lula no Oriente Médio: Israel e Palestina

Entrevista com o Ministro de Relações Exteriores do Brasil, Celso Amorim

(março/2010)

"O Brasil inspira confiança no mundo" 





PRESIDENTE LULA DEFENDE ESTADO PALESTINO NO PARLAMENTO ISRAELENSE.

 

 

"A solução dos conflitos no Oriente Médio" (março/2010)



 

 

 

Discurso do Presidente Lula em novembro de 2009:

"Não haverá paz no Oriente Médio sem concessões difíceis"

 


Presidente Lula afirma que é preciso diálogo para estabelecer a paz no Oriente Médio (nov/2009)


Entrevista do Chanceler Celso Amorim à CNN em Espanhol

sexta-feira, 19 de março de 2010

Política Externa: Ministro de Relações Exteriores Celso Amorim fala sobre a Política Externa do brasil nos últimos 7 anos

O Ministro de Relações Exteriores, Celso Amorim, explica o sucesso da Política Externa brasileira na primeira década dos anos 2000























Programa "7 anos em 7 minutos" da TVNBR. 
Destaque para a Estratégia brasileira de intensificar os laços de cooperação Sul-Sul, principalmente voltado para a integração regional sul-americana. Destaque também dado à relação com o continente africano, países árabes, o IBAS e os países do BRIC.

segunda-feira, 8 de março de 2010

Parlamento do Mercosul rejeita a exploração de petróleo por parte do Reino Unido nas Ilhas Malvinas


Parlamento do Mercosul

Informação institucional

08/03/2010

PARLASUL rejeita a exploração de hidrocarbonetos por parte do Reino Unido nas Ilhas Malvinas


Ilhas Malvinas
O Parlamento do MERCOSUL aprovou por unanimidade, uma Declaração rejeitando a decisão unilateral do Reino Unido da Grã Bretanha e Irlanda do Norte de pretender autorizar a exploração e extração de hidrocarbonetos em áreas da plataforma continental circundante às Ilhas Malvinas.       
              
A Proposta de Declaração chegou à XXII Sessão Plenária do PARLASUL com a assinatura do Presidente do PARLASUL José Pampuro, dos Parlamentares Adolfo Rodríguez Saá, Guillermo Jenefes, Elida Vigo, Arturo Vera, Oscar Castillo, Fabio Biancalani, José Mayans, Mariano West, Juan Manuel Irazábal, Ruperto Godoy e Agustín Rossi.

Ademais, o Parlamento do MERCOSUL, manifestou no texto aprovado sua decisão de instar ao Reino Unido da Grã Bretanha e Irlanda do Norte a cessar de imediato, esta ou qualquer outra ação unilateral similar.

Por último, afirmou a necessidade de que todos os países irmãos da região acompanhem a República Argentina, adotando medidas tendentes a não cooperar com as tarefas de exploração e extração, anunciadas pelas empresas britânicas.

Nas considerações da Declaração se destaca que, tal como o expressa o Protocolo, o Parlamento do MERCOSUL é um Organismo Internacional de representação dos cidadãos do bloco. Assim mesmo se reafirma que a República Argentina recebeu o apoio incondicional de todos os Estados Partes e Associados do bloco em seus reclamos de soberania sobre as Ilhas Malvinas, Geórgia do Sul, Sandwich do Sul e os espaços marítimos circundantes.

O texto da Proposta aprovada foi defendido no Plenário pelo Parlamentar argentino Ruperto Godoy, quem agradeceu as palavras de seus colegas durante a “Hora Prévia”, principalmente a dos brasileiros Inácio Arruda e Pedro Simón.

Recordou Godoy as duas Resoluções da Organização de Nações Unidas (ONU), sendo que uma delas chamava os dois países envolvidos a dialogar para buscar uma solução pacífica e duradoura. A outra resolução insta às duas Partes a se abster a adotar decisões que envolvem modificações unilaterais da situação, entretanto, esta última é flagrantemente violada com as recentes decisões de Reino Unido.

O Parlamentar uruguaio Doreen Ibarra apoiou a proposta e lembrou a declaração feita pelo Grupo do Rio no México, para que recomecem as negociações de conformidade com as Resoluções da ONU.

Por último, o Parlamentar Eric Salum falou em nome da representação paraguaia, e qualificou a atitude do Reino Unido como “imperialista e colonialista”.

Logo de aprovada a Declaração, os Parlamentares argentinos Mariano West e Ruperto Godoy conversaram em exclusiva com nossa Secretaria. Os Parlamentares informaram que Argentina poderá tomar ações ativas sobre o caso dos hidrocarbonetos, como por exemplo, a aplicação de um Decreto através do qual os navios que transitam desde a plataforma continental a qualquer porto argentino, necessitarão de uma permissão especial. Ademais, Godoy advertiu que as empresas que têm pensado em atuar no processo de exploração e extração comercial de hidrocarbonetos, estarão incorrendo em atos ilegais e podem ser passíveis de sanção pelo Estado Argentino. 

Por sua, parte o Parlamentar Mariano West remarcou o apoio do PARLASUL e do Grupo do Rio, à Argentina que se manterá firme na exigência que as Nações Unidas façam respeitar e cumprir as decisões adotadas em seu seio. A respeito da sanção às empresas que colaborem nas explorações nas Ilhas Malvinas, o Parlamentar afirmou que a mesma, se justificaria plenamente, uma vez que as mencionadas empresas estariam incorrendo em atos ilegais e contra o Direito Internacional.


http://www.parlamentodelmercosur.org/portugues_noticia_home.asp?i=0&id=542

sexta-feira, 26 de fevereiro de 2010

Petróleo nas Malvinas aumenta tensão entre Argentina e Inglaterra em meio às mudanças na Geopolítica do Atlântico Sul

Diário do Pré-Sal

18/02/2010

Petróleo nas Malvinas aumenta tensão entre Argentina e Inglaterra em meio às mudanças na Geopolítica do Atlântico Sul

Lucas Kerr de Oliveira

 

A atual crise nas Malvinas é apenas mais um capítulo de uma longa disputa entre Argentina e Inglaterra pela posse destas ilhas de  localização estratégica e com recursos petrolíferos ainda por serem mapeados.
A disputa remonta ao século XIX, quando a Inglaterra invadiu e anexou as ilhas. A Inglaterra já era a maior potência navaldo mundo e considerava as ilhas importantes como base para sua marinha de guerra, pois sua localização permitia vigiar facilmente a passagem do Atlântico para o Pacífico, entre  a América do Sul e a Antártida.
A utilidade da ilha foi comprovada durante a I Guerra Mundial, quando deu grande vantagem à Royal Navy da inglaterra, na luta contra Kaiserliche Marine, a marinha imperial da Alemanha, o que ficou conhecido como "Batalha das Falklands", em dezembro de 1914.
Posteriormente a posse das Malvinas e outras ilhas do Atlântico Sul serviriam para legitimar reivindicações territoriais do Reino Unido sobre territórios na Antártida, que foram suspensas (ao menos por enquanto) pelo Tratado da Antártida de 1959.
Assim, para a Inglaterra, manter a posse das ilhas significava (e talvez ainda tenha este significado), a perspectiva futura de voltar a reivindicar territórios na Antártida quando a vigência do tratado se encerrar, e possivelmente, este continente puder vir a ser ocupado para fins econômicos.
Não bastassem estes aspectos estratégicos, somaram-se fortes interesses econômicos pela posse de uma grande área de 200 milhas no entorno das ilhas, o mar patrimonial ou Zona Econômica Exclusiva (ZEE). Nesta área a Inglaterra tem exclusividade para a exploração de recursos naturais como a pesca, o turismo ou a extração de petróleo e gás natural.
Esta perspectiva se ampliou nos anos 1970, quando foram encontrados os primeiros indícios de petróleo na região. Entretanto, ainda eram reservas petrolíferas de difícil acesso, e o preço do barril do petróleo no iníciodos anos 1970 não passava dos US$ 2,00 ou 3,00. Duas crises do petróleo nos anos 1970 mudaram rapidamente este quadro.
A conjuntura da  Guerra das Malvinas em 1982
A Guerra das Malvinas, em 1982, ocorreu após quase uma década de crise petrolífera mundial, quando o mundo sofrera as consequências da crise petrolífera de 1973 e voltara a sentir os duros efeitos do aumento repentino do preço do petróleo, após a crise de 1979-1980, resultante da Revolução no Irã (1979) e da subsequente eclosão da Guerra Irã-Iraque (1980).  Os preços do barril tiveram um pico de mais de US$ 40,00 em 1981-1982, circundavam a faixa dos US$ 30,00/barril.
Isto contribuiu para que a Inglaterra decidisse travar uma guerra de grandes proporções com a Argentina, deslocando cruzadores, porta-aviões, bombardeiros estratégicos, submarinos nucleares  e milhares de soldados para o Atlântico Sul.  
Margareth Tatcher teria, inclusive, ordenado o deslocamento de armas nucleares táticas para o cenário da conflagração. Como as armas nucleares inglesas eram na prática americanas, ficou subentendida a aprovação dos EUA, que na pior das hipóteses fizeram "vista grossa". A Inglaterra havia argumentado que deslocava estas armas para o Atlântico Sul porque não sabia se a Argentina também não tinha armas nucleares, já que tinha um programa nuclear secreto.
A União Européia, na época Mercado Comum Europeu, iniciou um embargo à Argentina, que incluiu tanto importação de produtos argentinos como carne e trigo, como a exportação de determinados produtos, como armas, à Argentina.
Consequências da  Guerra das Malvinas e a conjuntura dos anos 1980 e 1990
As consequências imediatas da guerra todos conhecemos e são sempre lembradas pela mídia: acelerou o declínio da ditadura militar na Argentina, que colapsou em seguida.
Além disso, o Tratado Interamericano de Assistência Recíproca (TIAR) passou a ser considerado "letra morta" por muitos países latino-americanos, pois os Estados Unidos deixara claro que um membro da OTAN era muito mais importante do que um membro do TIAR. Entretando as consequências foram ainda mais profundas, para o bem e para o mal.
O receio de que os países da região se tornassem alvo das potências nucleares também mobilizou esforços da parte da diplomacia brasileira em favor da criação da Zona de Paz e Cooperação do Atlântico Sul, visando declarar o Atlântico Sul uma zona desnuclearizada.
O principal resultado positivo da guerra foi a aproximação entre Brasil e Argentina, Com o embargo europeu aos produtos argentinos o Brasil passou a comprar grandes quantidades de  carne, trigo e outros produtos produzidos por aquele país. O processo de aproximação  resultou em um acordo nuclear bilateral, para fins pacíficos; passo fundamental para acabar com as desconfianças mútuas no plano político-militar. Este tratado foi seguido de uma série de tratados bilaterais no período dos Presidentes Sarney e Alfonsín, que resultaram na criação do Mercosul.
Entretanto, na sequência o acordo de cooperação nuclear para fins pacíficos entre Brasil e Argentina foi relegado ao segundo plano e nunca foi criada uma empresa binacional de energia atômica.
Sem cooperação de verdade, os dois países continuaram relativamente dependentes de tecnologias estrangeiras de alto custo para a manutenção de suas usinas ou para a construção de novas usinas.
Na prática os programas nucleares da Argentina e do Brasil foram paralisados nos anos 1990 devido ao corte de verbas para a área militar, durante os governos neoliberais. Isto significou o fechamento ou atraso no desenvolvimento de uma série de tecnologias estratégicas de uso dual, como a nuclear e aeroespacial.  Como parte deste processo, nos anos 1980 a 1990, a indústria de defesa dos dois países foi desmontada, o que colaborou para encerrar todo um ciclo de desenvolvimento tecnológico autônomo que os dois países vinham tentando desenvolver ao longo do século XX.

http://cristovam.org.br/blog/wp-content/uploads/image/Mercosul.jpg
No auge do neoliberalismo dos anos 1990, muitos defenderam que o Brasil não precisaria mais ter forças armadas, pois o mundo pós-Guerra Fria seria pacífico e o país não teria inimigos. No maximo , diziam, o país deveria manter uma parte do exército, mas apenas para usar como força de polícia especial, de forma esporádica ou ocasional, como, por exemplo, para ocupar favelas no Rio de Janeiro. O resultado foi que muitos aceitaram este discurso e o país "desmontou" grande parte da sua capacidade defensiva, acreditando em um período de "paz e prosperidade" sob a hegemonia dos EUA.

O Brasil em tempos de pré-sal, a geopolítica do petróleo e o futuro da nação
Entretanto, o mundo mudou rapidamente, e o Brasil mais uma vez saiu perdendo. O Sistema Internacional tem se mostrado progressivamente instável, especialmente nas zonas petrolíferas, onde uma infinidade de conflitos armados, guerras civis ou guerras de ocupação proto-colonial, como no Iraque, mostram-se a regra, e não a excessão.
A descoberta de gigantescas reservas de petróleo na camada pré-sal do litoral brasileiro, simplesmente pode atrair a cobiça internacional sobre as riquezas brasileiras em uma escala como nunca se viu antes. Há projeções que falam em mais de 100 bilhões de barris de petróleo no pré-sal, o que significa algo como um Kuwait ou um Iraque no nosso litoral. Por si só, isto já seria suficiente para modificar a geopolítica do Atlântico Sul. Não é difícil imaginar o que poderá acontecer se novas descobertas deste tipo, forem feitas em formações geológicas semelhantes ao nosso pré-sal (bacias petrolíferas abaixo de camadas de rochas salinas), em outros locais do Atlântico Sul, tanto no litoral da América do Sul, como da África.
Isto é mais um motivo que nos ajuda a entender porque o Brasil simplesmente não pode esperar que o mundo se torne mais pacífico em um futuro próximo. Menos ainda acreditando que isto faria da América do Sul e do Atlântico Sul regiões mais pacíficas.
Ao contrário, com o esgotamento das reservas petrolíferas mais antigas e de mais fácil acesso - o  fim do petróleo barato -, e o aumento da demanda energética dos países emergentes, a perspectiva da escassez petrolífera torna-se sobria para um futuro não tão distante, como 2020 ou 2030.
Afinal, quem pode garantir que em 2025, uma potência emergente qualquer, alegando razões de Segurança Energética ou de Segurança Nacional, resolva de uma hora para outra, que precisa das enormes reservas de petróleo do pré-sal brasileiro a qualquer custo? Basta projetar uma situação meramente hipotética, para imaginarmos o que significaria para o Brasil uma ameaça vinda de uma potência emergente.
Imaginemos, por exemplo, um país como a India, que hoje já tem armas nucleares, e que, neste caso hipotético,  poderá ter em 2025 ou 2030 uma grande marinha de guerra, com porta-aviões e submarinos lançadores de mísseis nucleares. Apenas para ilustrar este exemplo fictício, segundo algumas projeções, em 2025 a India terá quase 1,5 bilhão de habitantes, possivelmente o 5o ou 6o PIB mundial e vai depender ainda mais do que hoje de petróleo e gás importado. Possivelmente  estará importando algo em torno de 90% do petróleo que consume. Sob certas circunstâncias, um chefe de Estado indiano, por exemplo, de um partido radical fundamentalista hindu, ficaria muito tentado a dizer que recebeu instruções de qualquer um dos mais de 5 mil deuses do país, para exigir o petróleo brasileiro para o seu país , pois afinal de contas, está no mar.
Com certeza, em 2025, o Brasil será rico em petróleo, mas não temos como saber se terá capacidade de defesa contra uma ameaça de tal natureza. O grande problema é que não é possível prever o que acontecerá em 2020, 2025, ou 2030, quando qualquer uma das grandes potências mundiais de então, poderá ter capacidade militar para ameaçar o Brasil e  pode querer se aventurar na tentativa de tomar nossas riquezas, como as grandes reservas de água, a Amazônia ou o petróleo do pré-sal.
O problema é que se o Brasil não possuir uma capacidade defensiva minimamente compatível com a necessidade de garantir sua soberania e o bem estar do seu povo, poderá se tornar presa fácil das pressões e chantagens das grandes potências. Isto porque não é necessário nem ao menos uma invasão do território continental para causar grandes danos ao país, o simples ataque à infra-estrutura petrolífera em alto-mar já seria catastrófico, e há exemplos históricos deste tipo de acontecimento que não pode ser ignorados.
Embora esse seja um cenário poco provável, sabemos que a Inglaterra foi à guerra  para preservar o controle de uma reserva petrolífera em alto mar, no caso as Malvinas, cujo volume de petróleo não se sabe ao certo até hoje. O que isto poderá significar para os países do sulamericanos e africanos que têm reservas sabidamente gigantes de petróleo em alto?

A geopolítica do Pré-Sal e o futuro da integração sul-americana
Contudo, com o aprofundamento da integração regional no âmbito da Mercosul e da UNASUL, é possível esperar que a cooperação Brasil-Argentina em áreas estratégicas seja retomada em larga escala. A retomada da cooperação nuclear e a criação de um programa espacial conjunto, seriam iniciativas fundamentais para alavancar o desenvolvimento tecnológico dos países que hoje formam o núcleo da integração sul-americana.
É preciso avançar na cooperação tecnológica. Iniciativas como a construção de um  submarino brasileiro-argentino, poderiam permitir a fabricação em escala, que continua necessária para baratear este tipo de equipamento tão vital para a defesa do litoral de ambos os países.
O mesmo seria válido para a cooperação na fabricação de aeronaves, tripuladas ou não, ou  de mísseis  anti-navio, que seriam de valor absolutamente estratégico para os dois países. Isto ajudaria a integrar as indústrias de alta tecnologia dos dois países, fortalecendo ainda mais o processo de integração sul-americana.
A cooperação no ramo petrolífero também é fundamental. É preciso criar uma nova empresa petrolífera sul-americana, que permita a essses países se beneficiarem da economia de escala da produção para para o mercado sulamericano, ao mesmo tempo em que viabiliza uma escala de investimentos ainda maior, que nenhum destes países conseguiria sozinho.
Isto pode permitir ampliar também a integração da indústria naval destes países, assim como as cadeias produtivas ligadas ao fornecimento de bens e serviços ao setores petrolífero e energético,  gerando ainda mais empregos na região.
Uma nova empresa petrolífera sul-americana poderia garantir que os equipamentos, navios e plataformas tivessem peças fabricadas em diferentes países da América do Sul. Também permitiria consolidar a liderança destes países na exploração e extração de petróleo em águas ultra-profundas, com foco no Atlântico Sul. Esta capacidade industrial-tecnológica daria grande vantagem competitiva ao conjunto desses países, mas também facilitaria a manutenção da soberania sobre as áreas petrolíferas localizadas em alto mar. Hoje a única empresa sul-americana competitiva neste ramo é a Petrobrás, que já está  procurando áreas do tipo pré-sal no litoral africano.
http://www.getech.com/interpretation/South_Atlantic_Margins_Brochure_A4.pdf
Por enquanto é difícil saber se a camada de rochas do tipo pré-sal da região das Malvinas  tem potencial petrolífero.  Mas mesmo que não tenha petróleo no pré-sal, as reservas já encontradas na camada pós-sal parecem ser grandes o suficiente para interessar a um país como a Inglaterra, que já esgotou quase todo o seu próprio petróleo , extraído das outrora grandes reservas do Mar do Norte.
A Argentina sozinha não tem força política ou econômica para mudar o status colonial das Malvinas. Embora  o Comitê de Descolonização da ONU atualmente classifique o território como ocupado, ou sem governo próprio, dificilmente a Inglaterra irá descolonizá-lo apenas por pressão de declarações do governo argentino. Mas esta seria uma excelente oportunidade para que a UNASUL mostrasse unidade em torno de um tema de concenso na região: que as Malvinas pertencem à Argentina e não à Inglaterra. Uma declaração conjunta do Conselho de Segurança da UNASUL, mesmo que formal, daria outro peso político para esta questão.
É pouco provável que a atual crise em torno das Malvinas resulte em uma nova guerra. Mas isto não significa que o Brasil pode descuidar do seu futuro. De uma forma ou de outra, o futuro do Brasil estará profundamente ligado ao futuro da América do Sul, assim como o futuro da Petrobrás está ligado ao desenvolvimento do pré-sal.
O Brasil tem uma oportunidade ímpar em sua história: a disponibilidade de um recurso estratégico que o país tem plena capacidade tecnológica e econômica para desenvolver. Pela primeira vez o país pode planejar o uso do pré-sal de forma estratégica, para  fortalecer os laços com os países vizinhos, fortalecendo de tal forma a integração sulamericana que esta não possa mais regredir.
O petróleo tem que ser nosso!As primeiras  linhas desta história o país está escrevendo hoje, nas discussões que resultarão na Nova Lei do Petróleo, que integrará um novo marco regulatório para o petróleo no Brasil. É este o passo inicial para garantir a soberania sobre os recursos petrolíferos do país. Soberania esta, que nos permitirá utilizar estas riquezas para a geração de emprego e distribuição de renda, para investir em educação, saúde, infra-estrutura, tecnologia e energias mais limpas, ou seja, para criar um novo tipo de desenvolvimento, socialmente e ambientalmente sustentável, que ajude a melhorar a qualidade de vida do povo brasileiro e dos povos irmãos da América do Sul.

Lucas Kerr de Oliveira



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terça-feira, 12 de janeiro de 2010

UNILA promoverá integração latino americana pela educação

Blog do Planalto

Terça-feira, 12 de janeiro de 2010 às 17:40

Unila promoverá integração latino americana pela educação


O presidente Lula sancionou, nesta terça-feira (12/1), lei que cria a Universidade Federal da Integração Latino-Americana (Unila), em Foz do Iguaçu (PR). Essa é a 13ª universidade federal instituída no governo Lula. O ministro da Educação, Fernando Haddad, espera que o Congresso Nacional aprove ainda este ano projeto de lei que criará a 14ª universidade federal (de Integração Luso-Africana), em Redenção (CE). Haddad disse que Lula foi o presidente brasileiro que mais criou universidades no País – o recorde anterior é do ex-presidente Juscelino Kubitschek (10 universidades).

“É precioso muito mais vontade. É preciso coragem”, afirmou o ministro ao anunciar que em 2010 serão destinados R$ 10 bilhões para o Fundo de Manutenção e Desenvolvimento da Educação Básica e de Valorização dos Profissionais da Educação (Fundeb).

O governador do Paraná, Roberto Requião, sugeriu que o governo federal institua uma espécie de intercâmbio com os países latino-americanos. Isso possibilitaria a destinação de vagas para estudantes dos países da região. Requião explicou que no Paraná isso é possível em função ce legislação estadual. “A Unila é uma universidade de integração”, destacou o governador paranaense.

A Unila apresentará uma proposta acadêmica inovadora, aulas em português e espanhol, e oferta diferenciada de cursos de graduação e pós-graduação que atendam às necessidades atuais e futuras do desenvolvimento sustentável e da promoção da integração na América Latina.

Na primeira etapa de implantação serão oferecidos os seguintes cursos de graduação: sociedade, estado e política na América Latina; relações internacionais e integração regional; história e direitos humanos na América Latina; desenvolvimento rural e segurança alimentar; economia, integração e desenvolvimento; comunicação, poder e mídias digitais; ecologia e biodiversidade, tecnologia e engenharia das energias renováveis; engenharia civil – ênfase em infraestruturas; gestão integrada de recursos hídricos; direito internacional comparado; saúde coletiva; geografia, território e paisagem na produção do espaço; tecnologia e engenharia das energias renováveis; educação, tecnologia e integração; licenciaturas em ciências da natureza, interculturalidade e integração, esporte, meio ambiente e políticas sociais, políticas linguísticas latino-americanas – com distintas ênfases.

A Universidade terá metade do seu corpo docente e dos alunos composta por brasileiros e os demais 50% provenientes de outros países da região. A seleção dos estudantes brasileiros será pelo Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) e para selecionar os alunos dos demais países será realizado exame semelhante, elaborado pelo Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep).


quarta-feira, 18 de novembro de 2009

Ciclo de Palestras II Guera Mundial

Ciclo de Palestras II Guera Mundial no Clube de Cultura de Porto Alegre







24/11/2009

“Ascensão do Fascismo no início da Guerra”
Fabio Catani

“O Pacto de não-agressão teuto-soviético Molotov-Ribbentrop”
Cesar Torres




25/11/2009

“O Japão na II Guerra Mundial”
João Rodrigues Chiarelli

“O Holocausto durante o conflito mundial”
Nilo Piana de Castro




26/11/2009

“O Petróleo na II Guerra Mundial”
Lucas Kerr de Oliveira

“A II Guerra Mundial e a Ásia”
José Miguel Martins




30/11/2009

“A guinada da II Guerra Mundial: Batalha de Stalingrado e o Pacífico”
Luiz Dario Ribeiro

“A batalha pela libertação da França no Conflito Mundial”
Gerson Fraga






01/12/2009

“O Brasil na II Guerra Mundial”
Ricardo Fitz

“O mundo após o conflito mundial”
Rafael Balardin







II Guerra Mundial - Ciclo de Palestras no Clube de Cultura de Porto Alegre



 Ciclo de Palestras sobre a II Guerra Mundial




24/11/2009

“Ascensão do Fascismo no início da Guerra”
Fabio Catani

“O Pacto de não-agressão teuto-soviético Molotov-Ribbentrop”
Cesar Torres




25/11/2009

“O Japão na II Guerra Mundial”
João Rodrigues Chiarelli

“O Holocausto durante o conflito mundial”
Nilo Piana de Castro




26/11/2009

“O Petróleo na II Guerra Mundial”
Lucas Kerr de Oliveira

“A II Guerra Mundial e a Ásia”
José Miguel Martins




30/11/2009

“A guinada da II Guerra Mundial: Batalha de Stalingrado e o Pacífico”
Luiz Dario Ribeiro

“A batalha pela libertação da França no Conflito Mundial”
Marcelo Kanter





01/12/2009

“O Brasil na II Guerra Mundial”
Ricardo Fitz

“O mundo após o conflito mundial”
Rafael Balardin







http://clubedecultura.blogspot.com/2009/11/cico-de-palestras-ii-guerra-mundial.html

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